sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Sozinha

É muito bom morar sozinha, mesmo tendo as consequências. A falta de comida na geladeira, falta de sabão em pó, falta de gelo no freezer. Falta coisas que simplesmente não lembramos de comprar. E aqui vou eu de novo, falando das tardes de domingo, porque nesses dias não faltam só as coisas que esquecemos de comprar. Falta a melhor amiga, o colo da mãe, o cafuné. Falta o pai puxando fios pela casa e consertando o computador. Falta as lambidas do cachorro sempre que eu chegava em casa. Falta aquele filme ruim com pipoca, edredon, refrigerante e chocolate. Falta a família reunida no sofá novo da sala.
Eu fico bem triste de vez em quando, eu sinto saudades. Saudades da comida da mamãe, de encontrar o quarto arrumado quando antes estava uma bagunça total, saudades de sempre pegar carona com o pai.
Essas tardes nostálgicas, que eu fico desesperadamente procurando um jeito de avançar no tempo.
Morar sozinha é ter que ir ao supermercado no sábado e ajeitar a casa que está de pernar pro ar e você não faz idéia de quem fez aquela bagunça toda.
Mas só morando sozinha você aprende a realmente dar valor àquelas coisinhas simples, como o tom de voz de quem a gente ama, a crise de riso por um motivo bobo, abraço de quem não volta. Nós aprendemos a conviver com nossa própria companhia e a gostar dela. Mesmo quando ela está triste nas tardes de domingo.

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