Durma. Como a criança mais linda, singela e despreocupada, você está dormindo nos meus braços. Faço carinho no seu rosto, me lembro da ultima vez que vi os teus olhos, que agora estão fechados, olhando diretamente para os meus, sorrindo junto com sua boca. Sabia que você também sorri com os olhos? Quando é sincero meu amor, os seus olhos sorriem. Tudo que eu enxergo e quero enxergar é o seu rosto, nada pode fazer com que eu tire o foco dele, estudando cada traço. Porque mesmo quando sou eu quem está com os olhos fechados, te enxergo, e assim posso trazer você pra perto de mim, como sempre deve ser.
Você se mexe um pouco. Logo penso que está tendo um sonho ruim, entro em desespero. Quero te acordar, te abraçar junto a mim, dizer que estou aqui e mandar para longe qualquer coisa que possa vir a te fazer algum mal. Mas não posso te acordar. Então, como um anjo, mesmo não sendo, eu cuido de você, a distância mesmo. Sorrio para mim mesma, lembrando de uma canção de ninar que você costumava cantar para mim em épocas mais fáceis. Agora chegou a minha vez de cantá-la para você, apenas num sussurro, para somente você ouvir e ter a certeza que existe alguém aqui que vela o teu sono. Acredite.
Talvez não tivesse sido um sonho ruim. Talvez fosse um sonho qualquer. Talvez era um sonho comigo, e por isso você se mexeu. Um sonho feito dos meus gestos, da minha voz, das nossas memórias. Falando a verdade, eu sei que você anda sentindo a minha falta. Com certeza não tanto quanto eu sinto a sua, mas eu sei que sentes pelo menos um pouco. Porque você disse que éramos para sempre.
Sem querer começo a rir, baixinho, porém, pela ironia. Ah, quem me dera se alguma coisa fosse para sempre. Infelizmente, nós já não somos para sempre há muito tempo. Estamos nos apagando, desaparecendo, quase sendo esquecidos, se não fosse por essa noite em que te vejo dormir e canto a nossa canção de ninar para afastar qualquer sonho ruim.
Mas você já está acordando, chegou a hora de ir embora. Me afasto, pois não quero que percebas que eu estava ali, segurando sua cabeça no meu colo e fazendo cafuné há minutos atrás. Porque é só assim que eu cuido de você. Somente em pensamento. A proximidade quando estamos acordados se torna perigosa. Mas eu gosto de quem nós somos, não tanto quanto eu gostava de quem nós éramos, mas o que somos agora, não me desagrada, para falar a verdade. O gosto desse momento na minha boca serve de anestesia para muitas dores.
domingo, 7 de março de 2010
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