Eu estou esperando por ele na estação de trem. Tem muitos prédios e pessoas bonitas para ver, mas a paisagem não vai funcionar. Por mais que as pessoas passem me olhando e analisando a minha roupa, eu não vou me incomodar, vou me manter estável até ele aparecer. Algumas param e tentar puxar assunto comigo, mas ninguém diz as coisas engraçadas que ele costuma me dizer, então nem tente me animar porque não vai funcionar.
Eu estou me sentindo daquele jeito nostálgico de novo, mas dessa vez eu estou no avião indo para o aeroporto da cidade onde ele mora. Tem bastantes aeromoças andando de lá para cá e cadeiras confortáveis para eu descansar, mas o amendoim e o refrigerante não vão funcionar. Por mais que o meu livro diga como a vida era pior nos tempos da cólera, não consigo me sentir menos pior. Eu rio quando um bêbado cai pelo chão do bar, mas eu estou me sentindo a mesma idiota. Porque ele não está lá para segurar a minha mão, e também não estará lá esperando por mim quando eu desembarcar.
Ultimamente, ele não está por perto em nenhum lugar que eu vou. Será que eu imaginei ele esse tempo todo? Eu poderia estar indo bem agora, mas as coisas só funcionavam de verdade quando eu sabia que ele iria me pegar toda vez que eu caísse. E agora eu estou cada vez mais perto do chão. Pensar sobre isso faz com que eu tenha mais nojo de mim.
Ontem eu vi aquele amigo que ele não gostava, que eles estavam sempre se desentendendo. Como as pessoas mudam tão rápido. O amigo dele está feliz, a propósito, perdeu peso e cortou o cabelo de um jeito descolado. Isso me faz perguntar como ele está agora. Mas a realidade não me deixa esquecer que eu ainda estou dentro de um avião, indo para uma cidade desconhecida na busca de um estranho, talvez.
Quando eu encontrá-lo, será que ele vai querer falar sobre o que aconteceu ou vamos esquecer? Prefiro a segunda opção, não suporto nem mais pensar sobre isso, está me matando, me assustando. Só quero pensar no meu encontro com ele, porque ele ainda continua não estando por perto em nenhum lugar que eu vou. Mas ligarei no telefone dele assim que eu descer desse avião.
Eu estou desesperada no setor desembarque, acho que eu vou sair pelas ruas gritando o nome dele, se eu der sorte ele me encontra. Porque eu estou sem sinal e sem bateria. Deus, o que está acontecendo com a minha sanidade?
OBS: Texto adaptado. Originar por Arctic Monkeys.
sexta-feira, 26 de março de 2010
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