Era uma vidinha pacata, sem graça, monótona. A gente se ligava dia de semana, sábado íamos ao cinema, domingo almoçávamos juntos e assistíamos o jogo. Ou ele assistia, já que eu sempre pegava no sono.
Eu sentia falta de mim, eu costumava ser uma pessoa divertida, criativa, mais vaidosa. Ia para as festas e me acabava de dançar, dançava até o chão, pulava, cantava, tirava fotos. Ia ao shopping, comprava roupas diferentes, eu gostava de inovar, de surpreender. Eu estava sempre bem.
Ele me mudou tanto. Acho que nós nos acostumamos, nos acomodamos. No inicio ele também era diferente. Ele freqüentava a academia, tinha o corpo perfeito, me levava para jantar em lugares românticos, me telefonava para dizer que sentia saudades e fazia surpresas gostosas, fora de hora.
Ele se tornou um chato. Só queria ficar dentro de casa. Eu parecia mais a mãe dele do que a namorada. Eu sentia falta da relação que eu tinha comigo mesma. Me tornei uma chata também. Ele não aguentou mais e me dispensou.
Claro que a barra foi pesada, um fim é sempre triste. Mas aí, eu pude voltar a ser eu mesma. E fiz isso de propósito. Porque fins de relacionamentos significa uma reviravolta em nossas vidas. Eu cortei meu cabelo, deixei ele enrolar. Mudei os móveis da minha casa de lugar, aprendi novas receitas. Comprei um vestido novo, um salto alto, chamei minhas amigas e fui dançar. Queria que ele me visse, ou que pelo menos um amigo dele me visse e fosse correndo dizer o que viu. Porque eu estava sorrindo e não em casa de luto. Porque eu estava dançando, e não em casa de plantão perto do telefone.
De todas as coisas que ele me deu, a melhor foi um pé na bunda.
domingo, 7 de março de 2010
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